terça-feira, 14 de agosto de 2007

SKAP

Skap
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
quando você pinta tinta nessa tela cinza
quando você passa doce dessa fruta passa
quando você entra mãe-benta amor aos pedaços
quando você chega nega fulô boneca de picheflor de azevi- che
você me faz parecer menos só
menos sozinho
você me faz parecer menos pó
menos pozinho
quando você fala bala no meu velho oeste
quando você dança lança flecha estilingue
quando você olha molha meu olho que não crê
quando você pousa mariposa morna lisao sangue encharca a camisa
quando você diz o que ninguém diz
quando você quer o que ninguém quis
quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
quando você arde alardeia sua teia cheia de ardis
quando você faz a minha carne triste quase feliz

MAMÃE OXUM


Mamãe Oxum
Zeca Baleiro
Composição: Indisponível
Eu vi mamãe oxum na cachoeira

Sentada na beira do rio

Colhendo lírio lirulê

Colhendo lírio lirulá

Colhendo lírio Pra enfeitar o seu congá

Ê areia do mar que o céu serena

Ê areia do mar que o céu serenou

Na areia do mar mar é areia

Maré cheia ê mar marejou

HEAVY METAL DO SENHOR


Heavy Metal Do Senhor
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
O cara mais underground que eu conheço é o Diabo

Que no inferno toca cover das canções celestiais

Com sua banda formada só por anjos decaídos

A platéia pega fogo quando rolam os festivais

Enquanto isso Deus brinca de gangorra no playground

Do céu com santos que já foram homens de pecado

De repente os santos falam "toca Deus um som maneiro"

E Deus fala "aguenta vou rolar um som pesado"

A banda cover do Diabo acho que já tá por fora

O mercado tá de olho é no som que Deus criou

Com trombetas distorcidas e harpas envenenadas

Mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor

DESPEDI MEU PATRÃO


Eu Despedi O Meu Patrão
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
(Refrão 2x)Eu despedi o meu patrão

Desde o meu primeiro emprego

Trabalho eu não quero não

Eu pago pelo meu sossego...Ele roubava o que eu mais valia

E eu não gosto de ladrão

Ninguém pode pagar nem pela vida mais vazia

Eu despedi o meu patrão...(Refrão 2x)Eu despedi o meu patrão

Desde o meu primeiro emprego

Trabalho eu não quero não

Eu pago pelo meu sossego...Ele roubava o que eu mais valia

E eu não gosto de ladrão

Ninguém pode pagar nem pela vida mais vadia

Eu despedi o meu patrão...(Refrão 2x)Eu despedi o meu patrão Desde o meu primeiro emprego

Trabalho eu não quero não Eu pago pelo meu sossego...Ele roubava o que eu mais valia

E eu não gosto de ladrão

Ninguém pode pagar nem pela vida mais vazia

Eu despedi o meu patrão...(Refrão 2x)Eu despedi o meu patrão

Desde o meu primeiro emprego Trabalho eu não quero não Eu pago pelo meu sossego...Ele roubava o que eu mais valia

E eu não gosto de ladrão

Ninguém pode pagar nem pela vida mais vadia

Eu despedi o meu patrão...Não acreditem, no primeiro mundo

Não acreditem, no primeiro mundo

Só acreditem, no seu próprio mundoSó acreditem, no seu próprio mundo

Seu próprio mundo é o verdadeiro Meu primeiro mundo, não

Seu próprio mundo é o verdadeiro Meu primeiro mundo, não

Seu proprio mundo é o verdadeiro Primeiro mundo, então...Mande embora, mande embora agora

Mande embora, agora, mande embora o seu patrão

Seu patrão, o seu patrão (2x)Ele não pode pagar o preço

Que vale a tua pobre vida, ó meuÓ meu irmão...(2x)

ATÉ O FIM


Quando nasci veio um anjo safado

O chato do querubim

E decretou que eu tava predestinado

A ser errado assim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim..

"Inda" garoto deixei de ir à escola

Caçaram meu boletim

Não sou ladrão , eu não sou bom de bola

Nem posso ouvir clarim

Um bom futuro é o que jamais me esperou

Mas vou até o fim...Eu bem que tenho ensaiado um progresso

Virei cantor de festim

Mamãe contou, que eu faço um bruto sucesso

Em Quixeramobim...Não sei como o maracatu começou

Mas vou até o fim...Por conta de umas questões paralelas

Quebraram meu bandolim

Não querem mais ouvir as minhas mazelas

E a minha voz chinfrim

Criei barriga, a minha mula empacou

Mas vou até o fim...Não tem cigarro, acabou minha renda

Deu praga no meu capim

Minha mulher fugiu com o dono da venda

O que será de mim?Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou

Mas vou até o fim...Como já disse era um anjo safado

O chato dum Querubim Que decretou que eu estava predestinado

A ser todo ruim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim...Mas vou até o fim

TUA BOCA


A Tua Boca
Zeca Baleiro
Composição: Indisponível
Não é venenoA tua bocaQuando chama a luz do diaQuando diz que a chama é poucaQuando ama tão vadiaSe reclama ser tão poucaA outra boca que esvaziaQuando beija ou abandonaQuando clama entre as chamas quando chiaQuando pia entre as ramasQuando adoça é como ardiaNão é veneno quando mataQuando salva e quando adiaQuando loucaNão é veneno a tua bocaQuando é coisa de magiaQuando cobra que se enroscaQuando água que se afogaQuando forca que alivia.

REALIZAÇÃO


Realização. Esta é palavra chave na minha ‘’pacata’’ vida.
Explico: tudo gira em torno disso.
Cada cobrança familiar, a cobrança interna, pressões de todos os lados.
Esclarecendo, pressão por trabalhar em algo comum, porque meu interesse
é e sempre foi trabalhar com música. Viver da música, por ela e para ela.
Mas todos são empurrados a um estilo de vida mais comum, um trabalho mais comum. “vida de artista’’, seja qual for a arte é sempre difícil, marginalizada, motivo de piada. Não generalizo, mas, em geral, se alguém perguntar o que você faz e você diz: sou musicista, ou sou artista, ah, a resposta é na lata: e trabalha no que? Aí ficamos com cara de caneca. Aquela cara de quem ganha uma xícara, e não sabe bem o que dizer. Muito chato! Faz pensar nisso tudo, o que tenho feito que não trabalho como secretária, num banco, ou numa loja?
Que tipo de vida é essa? Quer escrever? Quer cantar? Tocar um instrumento?
Quem sabe dançar? Nada disso! Vá trabalhar.
Qual a saída pra quem tem uma alma que não se encaixa no horário comercial?
Que tem um organismo que não permite acordar de madrugada e trabalhar até as dezoito horas, faz o que? Fica à margem?
Me encontro assim. Posso fazer mil coisas não enquadradas nesse padrão mas quem vai entender, de onde virá o sustento que proverá o pão?
Se abrir mão de sonhos e se render a tudo que lutam para que nos tornemos?
Se resiste bravamente sem saber para onde leva essa vida louca vida como dizia o poeta?
Eis a questão caros. E que questão! Martela e sobrevoa a cabeça a cada momento. Angustia, paralisa e penaliza a todos os familiares, amigos e principalmente quem sofre desse mal.
Mas o que fazer? Sigo buscando a resposta. E espero não descobrir tarde demais, tanto para mim, quanto para os que me cercam. Sinceramente!